No artigo desta semana vamos falar um pouco mais sobre a comunicação e suas metas.
Aristóteles definiu o estudo da retórica (comunicação) como procura de todos os meios disponíveis de persuasão. Discutiram-se outros possíveis objetivos de quem fala, mas deixou nitidamente fixado que a meta principal da comunicação é a persuasão, a tentativa de levar outras pessoas a adotarem o ponto de vista de quem fala. Esta forma de ver o objetivo da comunicação continuou aceita até a última parte do século XVIII, embora a ênfase se tivesse deslocado dos métodos de persuasão para o que houvesse de “bom” em quem falava.
No século XVII, apareceu uma escola de pensamento conhecida como psicologia das faculdades, que fazia distinção nítida entre a alma e a mente, atribuindo faculdades distintas a cada uma delas.
Pelo fim do século XVIII, os conceitos da psicologia das faculdades haviam invadido a retórica. O dualismo mente-alma era interpretado como base para dois objetivos de comunicação independentes. Um deles era a natureza intelectual ou cognitiva; o outro, emocional. Um tocava à mente, o outro à alma. Por esta teoria, um dos objetivos da comunicação era informativo – um apelo à mente. O segundo era persuasivo – um apelo à alma, às emoções. O terceiro era o divertimento, e argumentava-se que poderíamos classificar as intenções do comunicador, e o material de apoio por ele usado, dentro destas categorias.
A psicologia das faculdades já não é defendida pelos psicólogos, mas seus restos ainda existem na definição da intenção comunicativa.
A distinção informar-persuadir-divertir causou ainda outra forma de confusão. Tem havido tendência a interpretar esses propósitos como exclusivos: alguém não está dando informação quando está divertindo, não está divertindo quando está persuadindo, etc. Evidentemente, não é assim. No entanto, essa distinção é freqüente. Por exemplo: é comum, hoje, distinguir entre educação (informar), propaganda (persuadir) e diversão (divertir). Nos veículos de informações públicas, procuramos distinguir entre programas educativos e programas de diversão – sem proporcionarmos qualquer base razoável para a distinção. Alguns comunicadores profissionais dos setores da imprensa e da educação afirmam que não procuram convencer as pessoas, mas simplesmente lhes dão informações. Da mesma forma que os profissionais tendem a atuar de forma separada ou mesmo, segundo Sampaio (1999), qualquer pessoa entende de comunicação.
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